De repente a janela entreaberta revela um caminho diferente, mais doce e fugaz, a tal da perdição. Um olhar no desvio do caminho, o meu olhar, os seus olhares.
Uma carta do destino no bico de um pombo, você me sorri tão bonito e diz que havia me procurado em outros braços durante anos. Coisa que ninguém advinha, eu lhe entendo muito bem. Destino é mesmo bicho incrível.
E no entanto, já não me ocorre a possibilidade de lhe amar, pois há um tempo que me perdi por outro caminho, e mesmo que o vitral revele uma boneca de pano costurada de carência, não é bem assim.
A janela entreaberta não é um sinal de solidão, meu bem. É apenas um desejo de liberdade que eu guardo aqui nesse quarto. E que não tem nada a ver com amor.

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