- Soraya M.
- São Paulo, Brazil
- Bom, duas coisas que vocês precisam saber, sou louca pelo corinthians e louca pelo Norman Reedus; tenho 17 anos e amo Química.. desde pequena queria ser astronauta, rs mais isso vem com o tempo! Sou apaixonada por planetas e galaxias, amo filmes de ficção científica e de ação.. gosto de fotos e não de tirar fotos rs; amo comer e dormir.. e de escrever também! Sou metade normal e metade anormal, irônica, sarcástica e engraçada.. Sou louca por leitura e livros; curto romance, mais por enquanto bem longe de mim, rs.
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Por não estarem distraídos
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que, por admiração, se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos. (Clarisse Lispector)
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